ACID BATH - When the kite string pops (1994)
Os sonhos lúcidos são aqueles em que nos conseguimos aperceber do que está a acontecer e temos controle sobre os nossos sentidos e corpo. Temos consciência que estamos a sonhar. Viajamos dentro da nossa cabeça. Podemos ter ou não revelações e boas ou más experiências, seja qual for o caso, temos algum controle sobre a nossa consciência e sabemos que não estamos na “realidade” habitual.
Este disco é também ele uma viagem. Não é um álbum que se possa considerar alegre ou bem disposto, não tem nenhuma mensagem moral ou universal, mas tem letras crípticas e poéticas extremamente visuais. Tornam-se, assim como as músicas, cada vez mais agressivas à medida que o disco evolui. Há um crescendo de violência e desespero e a voz de Dax Riggs passa a ser acompanhada por vozes mais berradas, tipo, coro de demóniozinhos.
Foi o primeiro disco de originais da banda norte-americana liderada pelo vocalista Dax Riggs. Infelizmente, só editaram mais outro disco "Paegan Terrorism Tactics". Dax Riggs dedicou-se aos "Agents of oblivion" e à sua carreira a solo, editando vários discos com uma marca mais acústica e de rock alternativo.
O disco começa com “The Blue”- uma música sólida e que tem uma letra muito poderosa. “Tranquilized” tem uma vibe mais grunge e começa com uns riffs muito catchy mas espectaculares. “Jezebel” é uma música agressiva e com uma intro muito interessante. A música que se lhe segue “The scream of the butterfly” é mais calma, a letra é bastante visual e as guitarras que acompanham o texto são contidas e hipnóticas- e quando a música abre, é o estalo do caraças. Emocional, misteriosa e agressiva. “Dead Girl” é um tema basicamente acústico com um toque muito grunge e blues- a letra é muito boa- este tema foi interpretado novamente pela segunda banda de Dax Riggs – os Agents of oblivion.
Há interlúdios com uma voz modificada que nos narra episódios de uma outra realidade. Uma que não é muito agradável e que parece saída de um filme de terror.
Todas as músicas deste disco são fortes e bem conseguidas, mas “Tranquilized”, The blue, “Jezebel”, “Bones of baby dolls” , “Dead girl” e “Cassie eats cockroaches” (com uma intro sacada ao “Laranja mecânica) merecem um destaque especial. Ultra-violence, indeed. O álbum é violento mas carregado de emoção e momentos líricos. É como olhar para aquelas gravuras da mitologia grega que nos mostram momentos violentos mas mesmo assim, não conseguimos deixar de as admirar e achar bonitas.
A capa do disco é um desenho feito pelo serial-killer John Gacy, razão pela qual, foi banido nalguns países. Acho um bocado “lame” quando as bandas se aproveitam da popularidade de serial-killers (famosos pelas piores razões) mas neste caso, percebe-se que não é uma estratégia para vender mais discos mas sim uma opção meramente artística.
Degenerado q.b e sincero. Não tenta ser diabólico para dar nas vistas, é simplesmente a sua natureza. Uma viagem interessante ao dark-side.




1 comentário:
acid bath, tão tão bom!
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