OBLOMOV - COMMUNITAS (2009)
Hoje é um daqueles dias de clima instável. Ora faz sol, ora chove torrencialmente – gotas de chuva muito grossas acompanhadas de um vento forte e gélido – e depois, troveja! O céu volta a ficar cinzento quase negro e opressivo, mas passado umas horas, o sol volta a brilhar por entre nuvens frondosas e bi-colores : brancas e cinzentas. Não se sabe o que esperar nestes dias. “Communitas” é um bocado assim. Como este tempo matreiro mas encantador.
O disco abre com o tema “Carnival”- um instrumental meio hipnótico e onírico que nos dá a impressão de estar a entrar numa feira ambulante. O nome é bastante apropriado para a introdução. O segundo tema é uma música bastante coesa com riffs muito fortes e a música surpreende-nos pelas suas mudança de ritmo e ambientes. Este disco tem uma produção perfeita, harmonia vocais excelentes na onda de bandas como Solefald e Arcturus e composições com estruturas complexas e com mood teatral mas que não pecam pelo exagero que acontece muitas vezes no terreno do metal mais avant-garde.
As músicas têm progressões inesperadas com quebras de ritmo maradas e riffs catchy, também há a inclusão de instrumentos que não são normalmente utilizados neste género de música, tais como saxofone e berimbau que encaixam surpreendentemente bem nas músicas, dando-lhes uma sonoridade única. Este disco é como entrar num carro e começar a guiar sem saber para onde mas vendo coisas impressionantes pelo caminho. É como quando se é uma chavala e se come kinders surpresa com aquela vontade de saber qual é o brinquedo.
Nenhuma das músicas do disco é previsível ou repetitiva, todas as músicas se guiam por caminhos inesperados e que nos surpreendem. É um disco que dá vontade de fazer uma roadtrip e ver as coisas fixes do mundo. É um álbum que apesar de experimental e avant-garde tem uma vibe muito positiva e optimista. A música Deconstruting the order é tão fixe. Venham mais dias assim, por favor.
CZ




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