domingo, fevereiro 27, 2011

DOG FACED HERMANS - HUM OF LIFE (1993)


"Nobody fleeeeeeewwwwwww"

Banda escocesa que apenas durou oito anos, mas que ao longo da sua breve e entusiástica existência editou vários discos de originais. A música neste disco é um punk pouco convencional que utiliza instrumentos como saxofone e o trompete. A voz de Marion Coutts ocupa o espaço central em cada um dos temas e seu timbre faz lembrar o de Poly Styrene (X-ray Spex) mas com um registo mais contido e sombrio. Os instrumentais das músicas são muito interessantes e provam que o punk não é uma fórmula simples e estagnada mas que pode servir de base para sons mais experimentais e eclécticos.

O disco tem uma abertura muito forte com "Jan 9" um dos temas mais sólidos do disco e que nos
impulsiona para curtir o resto do disco.Intrigante e diverso.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Nem tudo que fulge é ouro.

Deixo aqui, no espaço que mais me dá prazer, a minha interpretação do verbo "fulgir" no 5 para a meia-noite. É logo no princípio aos 02:09.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

ACID BATH - When the kite string pops (1994)


Os sonhos lúcidos são aqueles em que nos conseguimos aperceber do que está a acontecer e temos controle sobre os nossos sentidos e corpo. Temos consciência que estamos a sonhar. Viajamos dentro da nossa cabeça. Podemos ter ou não revelações e boas ou más experiências, seja qual for o caso, temos algum controle sobre a nossa consciência e sabemos que não estamos na “realidade” habitual.
Este disco é também ele uma viagem. Não é um álbum que se possa considerar alegre ou bem disposto, não tem nenhuma mensagem moral ou universal, mas tem letras crípticas e poéticas extremamente visuais. Tornam-se, assim como as músicas, cada vez mais agressivas à medida que o disco evolui. Há um crescendo de violência e desespero e a voz de Dax Riggs passa a ser acompanhada por vozes mais berradas, tipo, coro de demóniozinhos.
Foi o primeiro disco de originais da banda norte-americana liderada pelo vocalista Dax Riggs. Infelizmente, só editaram mais outro disco "Paegan Terrorism Tactics". Dax Riggs dedicou-se aos "Agents of oblivion" e à sua carreira a solo, editando vários discos com uma marca mais acústica e de rock alternativo.
O disco começa com “The Blue”- uma música sólida e que tem uma letra muito poderosa. “Tranquilized” tem uma vibe mais grunge e começa com uns riffs muito catchy mas espectaculares. “Jezebel” é uma música agressiva e com uma intro muito interessante. A música que se lhe segue “The scream of the butterfly” é mais calma, a letra é bastante visual e as guitarras que acompanham o texto são contidas e hipnóticas- e quando a música abre, é o estalo do caraças. Emocional, misteriosa e agressiva. “Dead Girl” é um tema basicamente acústico com um toque muito grunge e blues- a letra é muito boa- este tema foi interpretado novamente pela segunda banda de Dax Riggs – os Agents of oblivion.
Há interlúdios com uma voz modificada que nos narra episódios de uma outra realidade. Uma que não é muito agradável e que parece saída de um filme de terror.
Todas as músicas deste disco são fortes e bem conseguidas, mas “Tranquilized”, The blue, “Jezebel”, “Bones of baby dolls” , “Dead girl” e “Cassie eats cockroaches” (com uma intro sacada ao “Laranja mecânica) merecem um destaque especial. Ultra-violence, indeed. O álbum é violento mas carregado de emoção e momentos líricos. É como olhar para aquelas gravuras da mitologia grega que nos mostram momentos violentos mas mesmo assim, não conseguimos deixar de as admirar e achar bonitas.
A capa do disco é um desenho feito pelo serial-killer John Gacy, razão pela qual, foi banido nalguns países. Acho um bocado “lame” quando as bandas se aproveitam da popularidade de serial-killers (famosos pelas piores razões) mas neste caso, percebe-se que não é uma estratégia para vender mais discos mas sim uma opção meramente artística.
Degenerado q.b e sincero. Não tenta ser diabólico para dar nas vistas, é simplesmente a sua natureza. Uma viagem interessante ao dark-side.

Se perderes esta exposição tens bafo de peixe para sempre!

A exposição Bafo de Peixe é uma exposição muito bem humorada. Bruno Rajão dá forma aos seus personagens de uma maneira descomprometida e relaxada. Os objectos que cria reflectem o seu imaginário infantil e sarcástico em forma de escultura e ilustrações. Se tiverem vontade de passar uma bela tarde basta irem à rua de Cedofeita e subirem as escadas frente à porta 187. A exposição está patente até Abril todas as sextas-feiras e Sábados das 16h às 19h. 




sábado, fevereiro 19, 2011

CRANFORD NIX (1969-2002)


Cranford Nix foi o vocalista e líder da banda punk The Malakas. Para além disso, compôs várias músicas acústicas de cariz confessional e que nos desarmam pela sua sinceridade. Enquanto toca guitarra fala-nos de romances que correram mal, as suas relações interessantes com drogas legais, ilegais e o álcool. Conta-nos pedaços soltos da sua vida ao som de acordes que variam entre o grunge, rock e o som mais básico com acordes maiores.
As suas músicas estão espalhadas pelas internetz, sendo que (pelo menos que seja do meu conhecimento), não gravou nenhum disco mas fez uma aparição num canal cabo norte-americano, onde tocou algumas das suas músicas que felizmente, foram lançadas no youtube.
Esta música fala por si.



Lembra a sinceridade e rebeldia da música grunge. Estas músicas talvez interessem a fãs de Nirvana, Brenda Kahn e Daniel Johnston.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

KELLERMENSCH - KELLERMENSCH (2009)


Kellermensch é uma banda dinamarquesa que toca um rock com contornos negros e cuja voz tem reminiscências de bandas como Neurosis ou Isis. O nome é a tradução germânica do romance “Notas do Subterrâneo” de Dostoievski. É um livro confessional de um narrador amargurado que expõe as suas memórias em jeito de diário. Foi uma das inspirações para a corrente filosófica existencialista e também para o script do Taxi Driver.
Este disco assim como o livro também tem uma carga muito soturna. O disco começa bastante bem com uma música simplesmente apelidada de “Intro” que abre caminho para uma das músicas mais fortes do disco “Moribond Town”- que promete ficar na cabeça mesmo depois do disco acabar. Outros momentos altos do disco : “the day you walked” – é uma balada muito interessante com a inclusão de um duo de violinos que dão uma carga mais melodramática (mas de bom gosto) ao tema. “Dead End” é uma música rock a puxar para o metal e o efeito é muito interessante. “Black Dress” tem uma melodia um pouco brincalhona mas o mood da música é bastante obscuro.O disco tem duas covers: "Dirt In the ground" de Tom Waits e "Don't let it bring you down"de Neil Young.
É um album melancólico mas que dá para abanar o capacete. Nota-se que a banda conseguiu criar um som próprio e que se destaca das restantes bandas de rock mais pesado. A banda que acho mais semelhante a esta, talvez sejam os Clann Zu, pelo uso dos violinos e o registo torturado de algumas vozes. Bom e surpreendente.
"ALL TIME LOW" \m/ é a minha música preferida do disco porque parece uma música de amor. Uma súplica a um ente superior a todos nós e que de que só parece que nos lembramos quando estamos muito desesperados.


CZ

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

OBLOMOV - COMMUNITAS (2009)


Hoje é um daqueles dias de clima instável. Ora faz sol, ora chove torrencialmente – gotas de chuva muito grossas acompanhadas de um vento forte e gélido – e depois, troveja! O céu volta a ficar cinzento quase negro e opressivo, mas passado umas horas, o sol volta a brilhar por entre nuvens frondosas e bi-colores : brancas e cinzentas. Não se sabe o que esperar nestes dias. “Communitas” é um bocado assim. Como este tempo matreiro mas encantador.




O disco abre com o tema “Carnival”- um instrumental meio hipnótico e onírico que nos dá a impressão de estar a entrar numa feira ambulante. O nome é bastante apropriado para a introdução. O segundo tema é uma música bastante coesa com riffs muito fortes e a música surpreende-nos pelas suas mudança de ritmo e ambientes. Este disco tem uma produção perfeita, harmonia vocais excelentes na onda de bandas como Solefald e Arcturus e composições com estruturas complexas e com mood teatral mas que não pecam pelo exagero que acontece muitas vezes no terreno do metal mais avant-garde. 
As músicas têm progressões inesperadas com quebras de ritmo maradas e riffs catchy, também há a inclusão de instrumentos que não são normalmente utilizados neste género de música, tais como saxofone e berimbau que encaixam surpreendentemente bem nas músicas, dando-lhes uma sonoridade única. Este disco é como entrar num carro e começar a guiar sem saber para onde mas vendo coisas impressionantes pelo caminho. É como quando se é uma chavala e se come kinders surpresa com aquela vontade de saber qual é o brinquedo. 
Nenhuma das músicas do disco é previsível ou repetitiva, todas as músicas se guiam por caminhos inesperados e que nos surpreendem. É um disco que dá vontade de fazer uma roadtrip e ver as coisas fixes do mundo. É um álbum que apesar de experimental e avant-garde tem uma vibe muito positiva e optimista. A música Deconstruting the order é tão fixe. Venham mais dias assim, por favor.

CZ

terça-feira, fevereiro 15, 2011

THE GITS - FRENCHING THE BULLY (1992)


Este é o primeiro álbum da banda Punk THE GITS - uma banda com muito potencial dos anos 90 mas que infelizmente teve um final precoce com o assassinato trágico e chocante da Vocalista MIA ZAPATA - uma das vozes femininas mais carismáticas deste género de música. Morreu jovem e com muito para dar, mas o seu assassino foi preso e condenado, um débil consolo porque o mundo perdeu uma grande artista. No entanto, ficou este disco que representa o que a música punk deve ser: livre, emocional, zangada, profunda, divertida, sincera, directa e única.



A voz de Mia faz toda a diferença na sonoridade da banda. Se não fosse a voz, o resultado seria um punk de qualidade, claro, mas que poderia ser feito por várias bandas daquela altura. As letras têm como temas : noitadas, booze, relações destruídas e acima de tudo, descontentamento.
É uma das bandas mais intensas dos anos 90 de Seattle mas que infelizmente foi esquecida. Dunno why porque tem todas as condições para ser uma das melhores bandas dessa altura. O som deste disco soa fresco e original. O disco tem várias músicas que são autênticos hinos, tais como : Another shot of whiskey, Insecurities, Here’s to your fuck, Second Skin e Cut my skin it makes me human.
A única falha que vejo neste album é quando acaba.
Em 2005 foi realizado um documentário sobre esta banda extremamente talentosa e cuja história merece ser contada.
imdb.com/title/tt0463028

Lula Gigante



RECEITA:
- Areal de Zebreiros
- Roupa Branca
- 2 sacos de bolinhas de esferovite
- um amigo
- lençóis velhos
- 1 tenda
- 2 mochilas
- 10 euros de gasolina

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

PROPAGANDHI – SUPPORTING CASTE (2009)


“And so in these days, in this terminal phase,
it’s all left to chance.
A piece of advice:
if you’re cast on thin ice,
you may as well dance. “ Supporting Cast(e)

Será que existe uma idade em que paramos de sonhar e desejar um mundo melhor? Cansamo-nos ou acomodamo-nos? Ficamos com o coração partido tantas vezes que decidimos proteger-nos e vamos esquecendo os ideais que tínhamos quando éramos livres de preocupações e obrigações? Vemos tantos pedintes na rua que já não olhamos nem pensamos nisso? Tantos cães abandonados que optamos por enxotar com medo de doenças? Casais de namorados aos beijos e sorrimos com amargura porque sabemos que vai acabar em breve? Amigos que passam a ser apenas conhecidos porque já não há conversa? Lemos sobre tráfico de tudo e qualquer coisa e ficamos chocados por uns segundos, assinamos uma petição e esquecemos tudo imediatamente.
Fumamos e bebemos sozinhos com medo de várias coisas, doenças que podemos vir a ter, a pessoa X que pode não gostar tanto de nós como gostamos dela e os amigos que nos podem estar a atraiçoar. Bebemos porque estamos a sofrer, não sabemos bem porquê mas é como se não soubéssemos qual é o nosso lugar no mundo e tudo fosse completamente irrelevante - então por que é que não deixamos tudo, pegamos numa mochila e vamos para uma montanha qualquer? Porque não sobreviviamos mais de uma semana, com sorte, talvez um mês. Há quem sobreviva e há quem continue com o mesmo coração e ideais - há quem os transmita através da pintura, cinema ou música.
Os Propagandhi fazem-no através da música. Ao longo da sua carreira sempre fizeram música com uma forte contestação social e uma elevada dose de sarcasmo. Criticaram preconceitos de origens várias: racismo, sexismo, xenofobia e homofobia. “Homophobes are just pissed because they can’t get laid” é um hino poderoso contra a descriminação aos homossexuais.
Sempre fizeram música baseando-se naquilo em que acreditavam e não no que pensavam que iria vender, como é sintomático de muitas bandas hoje em dia e de muita música pop que apesar de divertida, nada traz de interessante em termos de conteúdo e valores. Já os Propagandhi presentearam-nos com música divertida e com mensagens de valor.
Este disco, no entanto, não tem tanto de sátira nem do humor que sempre os caracterizou. É um disco mais maduro e que foi bastante acarinhado no seio da comunidade punk e considerado o melhor disco de 2009. É uma pena que esse carinho não se tenha estendido a outras comunidades, pois é um disco forte e recheado de boas músicas que espero que um dia possam tornar-se clássicos.
A capa do disco é uma tela intitulada “The Triumph of Mischief” do artista canadiano Kent Monkman (vale a pena fazer uma visita ao seu site oficial) que se centra na temática dos nativos (os chamados indios) e de como seria o mundo se a história se tivesse invertido e os colonos tivessem sido os subjugados. As telas também têm um forte foco na temática da sexualidade. Homossexualidade e confusão de género são uma das características da maior parte dos seus quadros.
A música sempre abrigou o que é considerado “diferente” e “estranho”, tornando-o sublime e um ponto de encontro para pessoas com perspectivas e aspirações semelhantes na vida. Este disco apela ao nosso sentimento de desesperança e transforma-o numa coisa positiva e não tão torturante. Faz-nos aceitar a nossa condição de meros humanos mas com poder para alterar algumas coisas que achamos estar erradas.
Durante as doze faixas deste disco acreditamos que temos voz e presença num mundo que às vezes se abate sobre nós com uma crueldade insuportável e nos deixa apáticos e deprimidos. É um album em que precisei de entrar bem, ler as letras, e ouvi-lo com calma e mais do que uma vez. Comigo só teve impacto a sério quando o ouvi pela segunda vez, mas também, as coisas difíceis são as mais sedutoras.

I spend sleepless nights
as my head swims worrying about you.
You work the night shift so you won’t be alone.
I am adept at cold.
(…)
I see distant lights up ahead
but I’m worrying about you.
It’s all taking its toll and you can’t concentrate.
You are being crushed by the world.
I have gotten lucky so far.
We sit at the end of this night dialing.”
NIGHT LETTERS


CZ

Spoon full of riffs, por Claudia Zafre

Se temos amigos cheios de talento porque não convidá-los a nossa casa para nos contarem histórias? E porque a Claudia Zafre (não a chamamos Zafre) é nossa amiga e cheia de talento achámos que o acordes estaria bem entregue. A Claudia estudou argumento na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e escreve muitas páginas por dia, nas quais encontram-se reviews a álbuns e afins. Spoon full of riffs começa hoje como rubrica,  com uma das reviews mais jeitosas. 

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Ontem foi assim:

SONS OF MISFORTUNE








Amabilidade do grande fotógrafo André Henriques
ahphoto.pt.vu


NASHVILLE PUSSY











Delicadeza do grande fotógrafo José Ferreira


Melhor notícia de sempre

Kyuss em Portugal no dia 22 de Junho no Hard-Club. Parece que o Roadburn e o Hellfest de 2010 fizeram milagres.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Festa Rock n' roll com o casalinho from... Georgia

Hoje no Hard-Club Nashville Pussy. Melhor é impossível!

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Dead Meadow no Porto

Parece que está confirmado o concerto de Dead Meadow via facebook da Lovers and Lollypops no dia 3 de Maio. Ainda não se sabe em que sala acontece o concerto. 

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Om e Gustavo Costa ontem no Passos Manuel

Sem querer incitar qualquer revolta a quem tenha uma opinião contrária ao concerto de Om, ontem no Passos Manuel, ainda a avaliar a quente, deixou-me com um sentimento de amor-ódio. Apesar de terem começado com o meu álbum preferido, God is Good, no início o som não estava no seu esplendor, mas melhorou gradualmente no decorrer do concerto. O aparente mau feitio do mentor Al Cisneros, sempre preocupado em equalizar o som do baixo, fez com que Rob, convidado e membro de Lichens se iluminasse naturalmente com a sua presença energética que se iguala a uma serpente dançante no deserto. Caiu da cadeira quando baloiçava e são essas memórias que também personalizam o momento único da noite de ontem. A destreza solta de Emil destaca-se da mesma forma. Todas as partes da Cremation Ghat deixaram 40º no ar e contagiou os movimentos do público que aos poucos ia tirando os casacos. 

Primeira parte
O extraordinário músico Gustavo Costa, que quanto a mim merece há mais tempo saliência no mundo dos músicos, não precisou de convencer o público com demonstrações de virtuosismo. Most People Have Been Trained to be Bored serve de exemplo para demonstrar que as narrativas convencionais nem sempre são a melhor alternativa para quem é mais ambicioso. 

Deixo algumas fotos tiradas pelo Jorge Silva