sexta-feira, maio 21, 2010

Ian Curtis e Jeff Buckley: 30 + 13

Faz 30 anos que o influente Ian Curtis morreu. 
Ian nasceu em Manchester. Desistiu da escola. Era um gajo estranho cujos movimentos em palco confundiam-se com ataques epilépticos. Tinha epilepsia e também carisma. Num concerto de Sex Pistols perdeu a vergonha e decidiu formar os Warsaw com Peter Hook e Bernard Summer. 

Experimentaram bateristas e ficaram satisfeitos com Stephen Morris. Mudaram o nome para Joy Division. Só editaram dois álbuns de estudio e, ainda assim, tal como aconteceu com os Sex Pistols (um álbum), com pouco trabalho e muita originalidade, influenciaram o mundo até hoje. Ian deixou um legado intemporal e sempre esteve aberto a ideias novas. É por causa destes indivíduos, obcecados por música, que o melhor rock é criado. 

Com Ian não existia letra sem necessidade trágica, um drama criado à volta de toda uma aura soturna. A face da música rock é alterada pelos que não têm medo de traduzir uma nova linguagem, novos sons, novas visões. Não há grandes truques ou pirotecnia. Existe apenas a dádiva de uma alma revolucionária. 

Depois da morte de Ian os restantes membros decidiram formar os New Order. Ian tinha a tristeza no olhar e ao mesmo tempo uma intensidade destemida pouco compreendida. 


É por estes seres estranhos por quem a melhor música é feita. Jeff Buckley deixou-nos há 13 anos. Desapareceu no rio Mississippi, não sabemos se foi morte premeditada ou não. Existe a hipótese de nas entrelinhas das suas letras se ler a morte premeditada, ainda que camufladas de um romantismo angustiado. Talvez não interesse muito.
Jeff tinha uma voz tímida quando falava, mas deixava o rasto de uma faca afiada assim que começava a cantar. O mais certo era vê-lo num chão qualquer de uma praça a tocar. Era muito bem acolhido nos concertos em França e se não tivesse nascido no outro lado do oceano diria que a sua mãe era a Edith Piaf, mulher cuja voz Jeff admirava. E nota-se. Que grande versão da Je N'en Connais Pas la Fin. 

Quase deixou na sombra a sua descendência. Filho do músico Tim Buckley  foi criado pela  mãe e pelo avô. Com poucos álbuns editados já era nomeado por Jimmy Page como um dos melhores músicos que alguma vez tinha visto. 

É impossível esquecer a Last Goobye, Grace, Hallelujah (versão de Leonard Cohen) e nada se  iguala a uma Lover, You Should've Come Over. São estes os seres que nos levam a acreditar numa fé que ascende para um mundo de criações únicas e intocáveis.  Jeff era um gentleman à frente no seu tempo e isso a história da música nunca vai mudar. 

Sem comentários: