sexta-feira, julho 09, 2010

Mike Patton possuído no Optimus Alive

Pelo que consta, ontem o recinto do Optimus Alive encheu com 37 mil pessoas e o último dia está esgotado. Não vou dizer que não gostaria de ter ido, mas pensar estar envolta de uma multidão de pessoas fez-me sentir, no fundo, um quanto aliviada, somando o facto de já ter visto as bandas que mais me levariam lá: Faith no More em '98 no Coliseu do Porto e Alice in Chains em 2006 no Super Rock. Normalmente os concertos em festivais não deixam tantas saudades quanto os concertos mais intimistas, longe dos olhos da multidão desconcertante. 

Paralelamente a isto temos a equipa de reportagem da Sic Radical a acompanhar este evento.  Do segundo concerto de ontem, o dos Moonspell, já que Biffy Clyro não passou na tv, saliento a falta de originalidade do espectáculo. Apesar de variarem num tema ou noutro, os portugueses insistem  num formato que culmina com "Full Moon Madness", com Fernando Ribeiro a bater com umas baquetas nos pratos da bateria de Mike Gaspar, à semelhança do que tem vindo a acontecer desde que trocaram a "Alma Mater" por este mesmo tema de encerramento. a cerca de uma hora de concerto pouco sobrou, além de um concerto para picar o ponto que só aqueceu com a entrada de Anneke van Giersbergen, para cantar "Scorpian Flower", tema a que deu voz no último álbum "Night Eternal". A ex-vocalista dos The Gathering acabou por permanecer em palco por mais dois temas, "Luna" e "Raven Claws". 


Fazendo jus às prestações pagas à Zon acompanhei também os concertos de Alice in Chains e Faith no More. Os AIC estavam com um William DuVall muito mais seguro e integrado em comparação com a actuação de  2004  e, talvez, um Jerry Cantrell mais vivo. Deu para sentir um Black Gives Way to Blue cheio de garra. O concerto fez-me pegar de novo nos álbuns e ouvi-los vezes sem conta.

Se calhar o ponto alto da noite foi a actuação do bipolar multi-expressivo Mike Patton, cada vez mais parecido com um proxeneta italiano. Fez rir qualquer um com a sua índole irónica, sarcástica e vaidosa. Quando se atirou para o público alguém lhe ia gamando um sapato, quem sabe Armani, aventura que o levou a sair vitorioso com o sapato na boca enquanto cantava a cover dos Jackson 5 "Ben", tema que lançou a dúvida no ar. 


Num intervalo de uma música para a outra ainda deu tempo para um throat singing, o que remeteu de imediato aos alucinados Tomahawk. 

Este animal furioso que dá voltas e voltas no seu circulo invisível além de ter dado voz aos FNM na noite de ontem atiçou o público com a perda no mundial, dedicou "Caralho Voador" a Cristiano Ronaldo, mais conhecido por "o mais grande caralho português". A noite acabou em grande quando Mike agarrou um cartaz que dizia Optimus Alive e acrescentou "caralho". O que interessa é tocar seja onde for e se for a falar português com o público ainda melhor não é patinho feio?

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