quinta-feira, abril 21, 2011

se Fever Ray fosse o Flickan e vice-versa

Vi um trailer há uns tempos que logo de imediato me fez remeter para um universo musicalmente preenchido por imagens e vice-versa. Na sequência desta experiência, um dia destes deitada na cama, olhei o tecto do quarto e ocorreu-me: "escrever rubricas ou uma espécie de rubricas em que associo bandas a filmes e o contrário. Poderá até ser interessante partilhar isto com alguém, quem sabe..." Então hoje, decidi pôr em prática esta ideia. Enquanto fizer sentido, porque não prolongar-me nesta tal coisa que até considero compromissada? Também não me vou fundamentar em factos ou coisas reais. Se calhar, uma vez espeto ficção pelo meio, sem levar muito a sério a minha lógica.  

Particularmente, acho incrível uma das quantas linguagens que existem vindas da Escandinávia. Não sei se a Noruega se pode confundir com a Suécia e a Suécia com a Dinamarca, mas, muitas das vezes em que tenho contacto com as expressões vindas desse tal sítio, fico de alguma forma fundida por esses sentimentos.  
Já aqui publiquei umas quantas vezes uma banda que, basicamente, me fez e faz ficar doente pela mesma. Estou fisica, emocional e espiritualmente contagiada. Não acredito que algum dia este e para já único álbum se desvaneça entre os meus preferidos. Assim surge a esfera Fever Ray e automaticamente Karin aliada ao filme Flickan, traduzido "A Rapariga". Este filme podia ser a banda Fever Ray se em vez de ser um filme fosse uma banda.





Sucintamente o filme conta a história de uma rapariga de dez anos que prefere ficar em casa em vez de ir para África com os seus pais.
Pormenores da história:
1- Quer ir para África mas é muito nova para viajar com os pais.
2 - Os pais e o irmão vão sem ela.
3 - Uma tia fica a cuidar dela mas por ser emocional e irresponsavelmente desequilibrada a criança de 10 anos engendra uma carta, como se fosse a própria tia a escrevê-la, na qual diz ao grande amor que quer ir navegar no mar com ele. A tia vai sem nunca dizer aos pais da rapariga e pede-lhe para guardar segredo.
4 - Nunca se sabe o nome da cara pálida ao longo do filme. É como conhecer alguém num dia aleatório e partilharmos vivências de dias muito importantes com essa mesma pessoa sem nunca sabermos o nome dela.
5 - Quando está sozinha em casa a saudade começa a pesar. Para se sentir mais perto da família pega em objectos que a fazem lembrar de África.
6 - Tem medo de nadar.
7 - Gosta de um rapaz que as amigas desprezam e tornam-se melhores amigos.






Pormenores de Fever Ray:
1 - A Karin tem um irmão, são os membros de Fever Ray e The Knife, e, apesar da rapariga do filme ter também um irmão, o seu amigo Ola começa a desenvolver uma relação tão forte com ela que nos leva a entender que existe sincronismo entre esses dois personagens. Existe essa mesma união com Fever Ray.
2 - Tanto com Fever Ray como com The Knife percebemos uma linguagem quase efeito espelho que mistura o tribalismo nórdico com o africano, exemplo mais directo em Triangle Walks; no filme a ruivinha fá-lo com atitudes: pinta a cara com terra, brinca com as penas de um melro.
3 - A rapariga do filme remete-nos para Karin em criança e o seu amigo Ola para o seu irmão (Olof Dreijer).
4 - A voz de Karin é pueril. Dá a ideia de que ao longo do álbum invoca a sua infância. Destaque para a música Seven.
5 - O videoclip da música When I grow Up, depois de vermos o filme Flickan, aproxima as duas protagonistas como se fosse uma extensão da menina para a idade adulta. Não só por causa da sua aparência mas também porque elas não mergulham, ficam presas ao momento e "transformam-se" como se tivessem que encarnar alguma coisa para a sentirem directamente como se fosse um guru a "baixar o santo".
6 - Existe originalidade nas duas personagens. Não se deixam misturar com personalidades que podem ser consideradas fúteis.
7 - Fever Ray envolve-nos e encaminha-nos para uma experiência solitária e isso acontece também no filme.








Podia estar a falar de ângulos de filmagem e de estéticas, mas não é isso que interessa para aqui.



4 comentários:

::Andre:: disse...

E onde se pede emprestado este filme?

Priscilla Fontoura disse...

drop

tak disse...

ela queria muito ir pa áfrica, mas não podia ir porque tinha menos de dez anos :P adorei o filme, obrigado

Priscilla Fontoura disse...

pois é, quer ir só que tem menos de 10 anos. é um murro no estômago o filme não é?