VOA 2010: Meshuggah e Carcass protagonizaram 2ª edição
Passou cerca de uma semana desde o último dia do Vagos Open Air (VOA) deste ano, mas ainda estão cravados na memória alguns dos momentos proporcionados por este evento, sobretudo os que partiram de cima do palco.
As expectativas eram altas: My Dying Bride com violino, a possível redenção de Amorphis depois da desastrosa primeira e única passagem em solo nacional, em 1995, Meshuggah finalmente cá e Carcass - regresso nostálgico de uma banda de culto de muita boa gente.
De resto, e apesar de as restantes bandas escalonadas na agenda não estarem lá apenas para encher chouriços, estas eram sem dúvida as que mais me entusiasmaram para seguir rumo à Lagoa do Calvão, em Vagos.
Mira apontada para este alvos, espero pelo primeiro ataque.
My Dying Bride, primeiro tiro no pé.
Fall with me, Bring me Victory, The wreckage of my flesh, Turn loose the swans, The whore the cook and the mother, Like gods of the sun, Vast choirs, She is the dark, The cry of mankind, My body a funeral e, a terminar, The dreadful hours não foram suficientes para disfarçar o desconforto criado pela secção rítmica desalinhada, comandada pelo grande baterista, emprestado pelos Akercocke, David Gray, e pela baixista Lena Abé. O concerto teve alguns bons momentos, mas nunca chegou aos níveis de intimidade dos alcançados em concertos anteriores em salas como o Hard Club. Contudo, o violino, tocado pelo recém-integrado Shaun Macgowan, acabou por se tornar num bónus para os que, como eu, nunca tiveram oportunidade de assistir MDB com um dos instrumentos que marcou e destacou a banda quando iniciaram a carreira.
Fall with me, Bring me Victory, The wreckage of my flesh, Turn loose the swans, The whore the cook and the mother, Like gods of the sun, Vast choirs, She is the dark, The cry of mankind, My body a funeral e, a terminar, The dreadful hours não foram suficientes para disfarçar o desconforto criado pela secção rítmica desalinhada, comandada pelo grande baterista, emprestado pelos Akercocke, David Gray, e pela baixista Lena Abé. O concerto teve alguns bons momentos, mas nunca chegou aos níveis de intimidade dos alcançados em concertos anteriores em salas como o Hard Club. Contudo, o violino, tocado pelo recém-integrado Shaun Macgowan, acabou por se tornar num bónus para os que, como eu, nunca tiveram oportunidade de assistir MDB com um dos instrumentos que marcou e destacou a banda quando iniciaram a carreira.
Outra desilusão foram os Amorphis. Refiro no entanto que na sua maioria o público revelou-se entusiasta e em conversas posteriores houve quem os tivesse eleito a banda que apresentou o melhor concerto do festival. Compreendo, mas não concordo.
Não sou um grande fã do vocalista Tomi Joutsen. Confesso. Por outro lado sou um grande fã da banda. O problema talvez resida aí. É verdade que tem boa voz, mas não é do meu agrado. Por isso mesmo fiquei com a sensação de que nem os clássicos como Sign from the North side, The Castaway, My Kantele ou o maior deles todos, Black Winter Day, que poderia ter entregue ao guitarrista Tomi Koivusaari, que a gravou originalmente, me agradaram. A dada altura Joutsen, aparentemente emocionado com a ovação do público, disse que lhe apetecia chorar. Aí partilhamos algo em comum. A mim também me apeteceu, mas seguramente não pelos mesmos motivos.
Meshuggah e Carcass fecharam as duas noites, respectivamente, da melhor maneira. Os suecos, mais do que aguardados na tugalândia protagonizaram o primeiro dia com, parafraseando um caro amigo, “metal de bater com a cabeça no chão”. Entrada em palco, ligação do turbo e até acabar o concerto não há questões que nos assolem. Fim do concerto e sai um “mas o que é que foi isto”? “Não sei, mas foi bom”. Mais do que bom foi excelente. Talvez a banda que melhores condições sonoras teve, o que ajudou a intensificar os petardos que são as suas composições. Dos escombros sobraram a memória de Rational Gaze, Bleed, Electric Red, Pravus, Stengah, Combustion, Lethargica, Sane, Straws Pulled At Random e Future Breed Machine.
Fecho do festival entregue à brigada britânica, agora cada vez mais sueca, que partilha o epíteto de fundadores do grindcore com os compatriotas Napalm Death. Os Carcass, que ao longo da carreira se foram afastando deste género, não se esqueceram, no entanto, após o final da banda, como se toca metal. Nem tinham como, até porque à excepção de Bill Steer, agora dedicado às sonoridades mais rock, todos os outros membros continuam dentro do género.
Não há como separar o lado emocional quando falo de uma das bandas que mais aprecio e, podendo cair no exagero, afirmo sem arrependimento que este foi um dos concertos mais marcantes a que assisti. De início ao fim foram entregando todos os temas memoráveis gravados entre 1988 e 1996. O mote foi lançado com Corporeal Jigsore Quandary e seguiram-se Buried Dreams, Carnal Forge, No Love Lost, Embodiment, Incarnated Solvent Abuse, Reek Of Putrefaction, Edge of Darkness, This Mortal Coil, Reep on Rotting In The Free World, Death Certificate e Heartwork, já no encore.
Houve ainda tempo para Ken Owen, baterista original, subir ao palco para entrar na festa da qual não pode participar integralmente por ter sofrido um problema de saúde. De certo um gesto apreciado pelos fãs.
Durante os dois dias tocaram ainda Prayers of Sanity, Miss Lava Gwydion, Ensiferum, The Firstborn, Oblique Rain, Ghost Brigade e Kamelot.
Segunda edição. Novo desafio. Ainda antes de 6 de Agosto, primeiro dia do festival, já havia uma certeza. A organização não adormeceu na sombra e quis confirmar que o VOA é uma realidade a caminho de se tornar no festival de metal de Verão português. Primeira pista lançada – o cartaz. My Dying Bride, Amorphis, Meshuggah e Carcass no alinhamento dos dois dias é uma espécie de nota de crédito entregue de barato aos metaleiros nacionais e a todos os que gostam de boa música.
De assinalar o esforço da organização do VOA que à imagem do que aconteceu no ano passado apostou, acima de tudo, na qualidade da programação. Se alguma coisa não funcionou em cima do palco terá que ser remetido directamente para os responsáveis, ou seja, as bandas.
No que toca ao recinto, é urgente, nas próximas edições, encontrar uma solução para o pó levantado durante os espectáculos e talvez não será má ideia apostarem em mais variedade no que toca a venda de alimentação.
*Os vídeos aqui publicados foram filmados por fãs e recolhidos por nós no Youtube



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