sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Anos 90

Vendo os vídeo clipes a uma certa distância podemos dizer que o tempo por vezes pode ser o inimigo de qualquer análise crítica que fazemos em determinado momento. O que é certo é que estes vídeos ficaram-me na cabeça até hoje pelo que acredito estarem registados na videoteca dos "music videos" para exemplo de muitos outros realizadores que pretendem seguir o mesmo exemplo, isto é, conseguir fixá-los na prateleira dos trabalhos intemporais.

Assim sendo os anos 90 influenciaram tanta gente e de tanta maneira que é impossível ignorar o que esta década trouxe de melhor, a música é sem dúvida uma delas e os vídeos de música começaram a distanciar-se do convencional chroma key, assumindo uma abordagem mais criativa. 

Exemplo disso é o vídeo "Heart Shaped Box" realizado pelo holandês Anton Corbijn, anteriormente ia ser realizado por Kevin Kerslake que já realizou vídeos de Sonic Youth, etc. O vídeo "Heart Shaped Box" tem imagens muito fortes: desde um homem de pele e osso pregado numa cruz a uma criança com um  fato dos Ku Klux Klan. 

Heart Shaped Box, Anton Corbijn.

Outro grande exemplo é o vídeo "No Rain" dos Blind Melon. Existe uma certa analogia entre este teledisco e o filme "Little Miss Sunshine".
Foi giro ver em 2007 o Peter Steele mandar para o ar alguns acordes da "No Rain", no Coliseu dos Recreios, e ver muitas caras a ficarem surpreendidas.

No Rain, Samuel Bayer. 

Quando o nome Bjork vem "ao de cima" pensamos sempre na imagem e produção que existem por detrás desta mulher de estatura baixa. O teledisco "Human Behaviour" realizado por Michel Gondry, um visionário dos vídeo clipes, é, sem dúvida alguma, um dos melhores da década de 90 e da história dos vídeo-musicais. Quem quiser explorar mais sobre a imagética do vídeo "Human Behaviour" pode ler o artigo aqui

Human behaviour, Michel Gondry.


Last but not least é o vídeo "Only You", realizado pelo já referido Chris Cunningham, dos Portishead. Uma sequência de imagens tão bem pensada quanto o ritmo da música. Não se trata, unicamente, de um exercício de aceleração e desaceleração dos movimentos, se tivesse que nomear em poucas palavras diria que é um "poema moderno" onde se sente claramente a identidade de Cunningham.   

Only You, Portishead

1 comentário:

Saturnia disse...

saudades...